segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Artigo

Esse artigo foi escrito baseado no desenvolvimento do projeto.



Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura local da Escola Nossa Senhora da Penha

Priscila Martins de Oliveira¹
Ramaiana Lobo do Prado²

Resumo

Este artigo busca apresentar o desenvolvimento do projeto “As artes de fazer educação em ciclo: tecnologias e formação de professores”, orientado pela profª Drª Rejany dos Santos Dominick, o qual se deu conforme a proposta de projetos de ensino-pesquisa-extensão nas escolas da rede municipal de educação de Niterói. Apresenta também especificamente os dados coletados no projeto “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura local da Escola Nossa Senhora da Penha.

Palavras-chave: Rede Ciclada, Tecnologias educacionais, Patrimônio, Cultura Local.

Introdução
Ao longo deste ano de execução (setembro de 2010 a julho de 2011) estivemos presentes em 13 escolas da rede pública de Niterói. A rede Municipal de Niterói, com a qual estamos em diálogo tem passado por um processo de transformação: da lógica seriada para a lógica dos ciclos educacionais no ensino fundamental. O processo iniciou-se em 1998 e ainda não está concluso.
A rede incluiu o uso das tecnologias de comunicação e informação para o trabalho no cotidiano escolar nos anos entre 2005 e 2007, mas notamos que, ainda hoje, apesar da presença dos computadores na maioria das escolas, as novas tecnologias da informação e da comunicação não estão sendo usadas cotidianamente pelos docentes e estudantes, especialmente dos 1º e 2º ciclos – crianças com idade de 06 e 11 anos.
Neste artigo serão apresentados alguns dados gerais coletados no projeto, mas o foco será nas ações do projeto na escola “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura da Escola Municipal Nossa Senhora da Penha”, desenvolvido por Priscila Martins de Oliveira (bolsista PIBInova), Daise dos Santos Pereira (bolsista IC – FAPERJ) e Ramaiana Lobo do Prado (bolsista PIBIC).
Os “projetos nas escolas” são projetos de pesquisa participante desenvolvido por estudantes do curso de Pedagogia. Alguns desses alunos são bolsistas de: Inovação Tecnológica (PROPPI); Iniciação Científica (FAPERJ), Extensão (PROEX) e Apoio à Prática Discente (PROGRAD). Outros são alunos das disciplinas de “Magistério das Disciplinas Pedagógicas do Ensino Médio” e de “Estágio - Pesquisa e Prática Pedagógica”, ambas ministradas pela coordenadora do projeto.
Tais projetos são estruturados com base na pesquisa participante, dialogando com diferentes autores, principalmente com BRANDÃO (2003). Não visando apenas a análise da educação em ciclos, mas também apresentando uma análise das comunicações que são percebidas potentes e que podem ser produzidas no percurso da interação com os profissionais da educação que trabalham na escola. Fundamentado na constante troca de saberes, mediada pela realidade da comunidade escolar e a formação recebida na UFF, essa interação tem um sentido de criar possibilidades para a reflexão sobre caminhos possíveis para superação dos limites que o cotidiano, muitas vezes, tenta nos impor.
A escola é um espaço potencializador para a construção de sujeitos capazes de compreender e valorizar seu papel social e cultural. Segundo Freire (2007, p.30), “o homem, quando compreende sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e com seu trabalho pode criar um mundo próprio seu de e suas circunstâncias”. Assim, um dos caminhos para solucionar as limitações presentes no cotidiano tecnológico das escolas da rede municipal é o professor/pedagogo se perceber como um profissional reflexivo sobre a sua prática e comprometido politicamente com a formação das novas gerações.
Cada projeto na escola é construído em diálogo com a comunidade escolar, assim os temas são escolhidos também de acordo com as necessidades daqueles sujeitos. São organizadas atividades semanais com os alunos, de acordo com o planejamento de cada escola.
Dentre os projetos está o “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura da Escola Municipal Nossa Senhora da Penha”. O projeto vem sendo desenvolvido em um grupo de referência do 2º Ciclo do Ensino Fundamental, com crianças entre oito a dez anos de idade.
O projeto na escola “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura local da escola Nossa Senhora da Penha” propõe um diálogo com os alunos do ensino fundamental em uma perspectiva de buscar conhecer, divulgar e preservar o rico acervo histórico-cultural existente no entorno.
É importante salientar que, a princípio, a escolha por esta instituição para a realização do projeto se deu por conta do envolvimento de uma das bolsistas em uma ação de pesquisa, ensino e extensão no ano de 2008. Desde então, a escola e as graduandas em Pedagogia da UFF vem estabelecendo significativas trocas e promovendo “artes de fazer” capazes de potencializar as relações entre escola e Universidade.
Tendo como objetivo de ensino proporcionar o conhecimento, por parte das crianças, do patrimônio cultural do bairro onde se localiza a escola. Focando também a necessária utilização das tecnologias educacionais como instrumento para pesquisa e construção do conhecimento nos processos da sala de aula. O objetivo de pesquisa está voltado para a construção, com o grupo de referência e com a comunidade escolar, de tecnologias inovadoras. O trabalho tem feito pontes com os estudos de Brandão (2003), Dominick (2008), Horta (1999), Laraya (2006) e Perrenoud (2003) entre outros.
A Escola Municipal Nossa Senhora da Penha, na qual é desenvolvido o Projeto “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura local da escola Nossa Senhora da Penha”, a sala de informática estava fechada até a pouco tempo, pois estava em reforma. Mesmo hoje, reaberta, é um espaço que só pode ser frequentado pelos alunos com acompanhamento da professora de referência, e apenas com hora marcada. Outro problema que foi constatado é a falta de conexão dos computadores com a internet, restringindo ainda mais os recursos dos alunos e da professora.
A Escola encontra-se em um bom estado de conservação, também tem um pequeno pátio conservado no lado de fora da escola para as crianças brincarem, porém é descoberto. Possui uma sala de leitura bem estruturada, mas também é pequena. As salas de aulas são bem conservadas, com ventiladores, e possuem murais. A escola também conta com um bom refeitório e com banheiros limpos.
O projeto “Inovando, compreendendo e resgatando a memória e a cultura da Escola Municipal Nossa Senhora da Penha”, já citado tem como temática a educação patrimonial. Tal tema nem sempre é focado no cotidiano escolar, embora o mesmo seja de fundamental importância para a formação cidadã. Muitas vezes, a comunidade escolar pode estar rodeada de um rico acervo histórico e cultural, no entanto, não há políticas de registro sistemático das histórias e manutenção de tais patrimônios.
No início do ano de 2011, dando continuidade ao trabalho do ano anterior, houve um diálogo com a professora de referência do grupo. A proposta foi organizada a partir de alguns acordos, mas logo a seguir a professora se aposentou e entrou uma professora contratada em seu lugar. Com isso, foram enfrentados alguns desafios, pois foi preciso repensar e planejar a proposta em diálogo com esta nova professora contratada.
Houve alguns problemas em relação às atividades planejadas para os alunos, pois era necessário alguns equipamentos tecnológicos como Data Show, Net book e a televisão para realizá-las. Essas atividades tinham como objetivo explicar para os alunos o que seria patrimônio material e imaterial. Esses recursos tecnológicos seriam utilizados para apresentar aos alunos algumas imagens dos patrimônios da localidade. Este seria um recurso novo para eles, despertando assim a atenção e a curiosidade dos alunos. Apesar de a escola disponibilizar o Data Show, o Net book era um recurso que a escola não tinha. A televisão era um recurso que a escola tem, mas por causa de problemas técnicos não estava funcionando nos dias planejados da atividade. Então, para a realização desta atividade foi preciso levar o nosso Net book. E para a atividade que utilizaríamos a televisão, levamos as imagens no pen drive e contamos a história É importante destacar que a escola possui alguns outros tipos de equipamentos tecnológicos como aparelho de DVD e rádio com CD Player.
Em todas as atividades desenvolvidas, foram propostas soluções diante dos problemas que foram diagnosticados. Tendo procurado desenvolver no projeto um diálogo entre as novas e velhas tecnologias buscando possibilitar, assim, a construção de caminhos que potencializem os aprendizados tanto de docentes como de discentes. Temos nos mobilizado no sentido de sistematizar o que identificamos e produzimos em nossas interações com as escolas organizadas pedagogicamente em ciclos.
Quando perguntado às crianças o que elas entendiam de tecnologia, a maioria associou a aparelhos relacionados à tecnologia da informação e da comunicação.
Outro ponto identificado na escola é o fato de que as novas tecnologias tem sido apropriadas pelos docentes de maneiras diferenciadas e que algumas tecnologias educacionais tradicionais vão deixando de ser utilizadas pelos docentes, como o mimeógrafo, e vão sendo substituídas por artefatos mais modernos, como a xerox e a impressão por meio de computadores. Percebemos que os artefatos mais modernos estão cada vez mais presentes, mesmo assim há docentes que ainda não o dominam completamente. Porém, é válido salientar que as tecnologias educacionais tradicionais ainda são muito utilizadas pelos professores, como o livro didático.
Assim, acreditamos ser indispensável na formação docente o diálogo entre as velhas e as novas tecnologias e este tem sido um caminho buscado pelo projeto “As artes de fazer a educação em ciclos”, no qual desenvolvemos ações em redes colaborativas, visando à formação do professor reflexivo, em diferentes espaços: na escola, na universidade e no hiperespaço.

Referências Bibliográficas
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa no trabalho do educador. São Paulo: Cortez, 2003.
DOMINICK, Rejany. SILVA, Cinthia F. e SOUZA, Neiva V. “Tecnologias em diálogos na formação de professores.” Anais do II Congresso Internacional Cotidiano: diálogos sobre diálogos. Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2008.
FEITOZA, Paulo Fernando de Britto. “Patrimônio cultural da nação: tangível e intangível” disponível em http://www.revistas.uea.edu.br/old/abore/artigos/artigos_2/Artigos_Professores/Paulo%20Feitoza.pdf
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. RJ: Paz e Terra, 1979.
HORTA, Maria de Lourdes Parreira et alli. Guia Básico de Educação Patrimonial. Brasília. IPHAN/ Museu Imperial, 1999.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um conceito antropológico. - 20.ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
PERRENOUD, Phillippe. Os ciclos de aprendizagem: Um caminho para combater o fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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Priscila Martins de Oliveira¹
(Graduanda de Pedagogia – UFF / Bolsista PIBInova)
prioliveira.uff@gmail.com

Ramaiana Lobo do Prado²
(Graduanda de Pedagogia – UFF / Bolsista PIBIC)
ramaiana_prado@yahoo.com.br


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